terça-feira, 1 de abril de 2025
Juiz suspende norma que autoriza farmacêuticos a prescreverem remédios
A Justiça Federal em Brasília decidiu
nesta segunda-feira (31) suspender a resolução do Conselho Federal de
Farmácia (CFF) que autorizou farmacêuticos a prescreverem medicamentos. A
decisão foi motivada por uma ação movida pelo Conselho Federal de Medicina
(CFM).
Na decisão, o juiz federal Alaôr
Piacini afirmou que a resolução do CFF que autorizou a medida invade as
atividades privativas dos médicos.
“O balcão de farmácia não é local para
se firmar um diagnóstico nosológico de uma doença, porque o farmacêutico não
tem competência técnica, profissional e legal para tal procedimento”, afirmou o
magistrado.
O juiz também acrescentou que somente
os médicos têm competência legal e técnica para fazer diagnósticos e receitar
tratamento terapêutico.
Para fundamentar a decisão, o
magistrado citou a Lei 12.842, de 2013, conhecida como Lei do Ato Médico.
“Verifica-se da referida lei que
somente o médico tem competência legal e formação profissional para
diagnosticar e, na sequência, indicar o tratamento terapêutico para a doença,
após a realização do diagnóstico nosológico, processo pelo qual se determina a
natureza de uma doença, mediante o estudo de sua origem, evolução, sinais e
sintomas manifestos”, afirmou.
Alaôr Piacini também ressaltou casos
de diagnóstico inadequado divulgados pela imprensa.
“É fato incontroverso que a imprensa
noticia, quase diariamente, mortes e deformações estéticas, com repercussão
para a vida toda da pessoa, em tratamentos realizados por profissionais da área
da saúde que não são médicos e passam a realizar procedimentos sem a formação
técnica adequada”, completou.
De acordo com a Resolução
5/2025 do CFF, o farmacêutico está autorizado a prescrever medicamentos,
incluindo os de venda sob prescrição, renovar prescrições e prescrever
medicamentos em atendimento à pessoa sob risco de morte iminente.
Para o Conselho Federal de Medicina,
os farmacêuticos não têm atribuição legal e preparação técnica para
definir tratamentos.
Agência Brasil