Os números divulgados pela Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística, por meio da Pesquisa Nacional de Saúde
do Escolar 2024, acendem um sinal vermelho no Rio Grande do Norte —
especialmente quando o assunto é saúde mental entre jovens.
No estado, 15,3% dos estudantes
entre 13 e 17 anos afirmaram que sentiram, na maioria das vezes ou sempre,
que a vida não vale a pena ser vivida no mês anterior à pesquisa. Em Natal, o
índice sobe para 17,5%, superando a média estadual e se aproximando de
um cenário ainda mais preocupante.
Quando o recorte é por gênero, o
abismo se amplia:
- Mulheres: 20,5% no RN e 23,8% em Natal
- Homens: 10,3% no RN e 11,1% em Natal
Ou seja, as meninas estão
significativamente mais vulneráveis emocionalmente — um padrão que também se
repete em nível nacional.
Tristeza, ansiedade e sofrimento
constante
A pesquisa vai além e mostra um quadro
consistente de sofrimento psicológico:
- 25,9%
dos estudantes no RN
disseram se sentir tristes com frequência
- Entre
meninas, esse número dispara para 37,9%
- Em
Natal, 28,9% relataram tristeza constante
Outro dado que chama atenção: 30,2%
dos jovens potiguares afirmaram já ter sentido vontade de se machucar de
propósito ao menos uma vez no último ano. Entre as meninas, esse percentual
chega a 41,1%.
São números que não podem ser tratados
como estatística fria — eles refletem uma realidade vivida diariamente dentro
das escolas.
Relação familiar também entra no radar
A pesquisa aponta ainda um fator
relevante: a dificuldade de diálogo dentro de casa.
- 35,9%
dos alunos de escolas públicas
disseram não se sentir compreendidos pelos pais
- Entre
meninas, esse índice sobe para 38,4%
- 49%
dos estudantes
relataram preocupação constante com problemas do dia a dia
Além disso, 33% afirmaram que pais
ou responsáveis mexeram em seus pertences sem consentimento, o que pode
indicar conflitos de confiança e privacidade dentro do ambiente familiar.
Escola, família e poder público: onde
está a resposta?
Os dados deixam claro que o problema
não está isolado. Ele envolve:
- Pressões
sociais e escolares
- Fragilidade
nas relações familiares
- Falta
de suporte emocional adequado
E, principalmente, a ausência de
políticas públicas mais efetivas voltadas à saúde mental de adolescentes.
Enquanto isso, escolas seguem focadas
majoritariamente no desempenho acadêmico, muitas vezes ignorando sinais claros
de sofrimento emocional.
Um problema que não pode mais ser
ignorado
O levantamento da PeNSE escancara uma
realidade que já vinha sendo percebida, mas agora aparece com números
concretos: há uma crise silenciosa entre os jovens.
Ignorar esses dados é permitir que o
problema cresça dentro das salas de aula, nas casas e nas redes sociais.
A pergunta que fica é direta:
o que está sendo feito, de fato, para cuidar da saúde mental dessa geração?